Joalheria Asprey

Projeto de reforma da loja principal (flagship store) da joalheria Asprey em Londres, na área de Mayfair, numa rua de comercio de alto padrão, a New Bond Street, que atrai milhares de visitantes por dia.

 

A loja Asprey está situada neste local desde 1846, com selo real de aprovação desde 1850. Ao longo do tempo foi ocupando várias propriedades adjacentes com elementos construtivos distintos, todas tombadas, em área de preservação histórica, que foram sofrendo reformas e remendos a cada adaptação necessária.  No inicio do seculo XX foi utilizada a tecnologia de vidro mais inovativa da época para aumentar portas e janelas das fachadas possibilitando a inclusão de um mezanino. Colunas de ferro também foram incorporadas à fachada, e a ligação entre os espaços internos foi feita por acessos diversos, resultando em um espaço compartimentado e fragmentado.

 

O cliente queria uma reformulação geral que desse conta das novas necessidades de expansão da marca, e da sua imagem (o máximo do luxo no estilo de vida britânico). Além de jóias, armas e objetos de couro seriam incorporados à coleçao relógios, moda, prataria, livros, objetos, etc.

Para aprovação legal da nova proposta arquitetônica, decidiu-se considerar as intervenções anteriores feitas no interior dos edifícios ao longo do tempo como elementos descartáveis pois se tudo fosse considerado tombado não seria possível fazer a intervenção interna radical necessária às novas necessidades e obter a coerência de layout desejada. Não  fazia sentido considerar tombadas alterações recentes sem significado. Foi também necessário pedir aprovação para cada um dos proprietários das diferentes propriedades.

 

A estratégia espacial tinha como desafios principais o aumento da área existente de 1,323 m2 para 2,324 m2 (1001 m2) para conter: expansão da linha de produtos, inclusão das oficinas de joalheria, prata e couro, criação de um museu , café, escritórios e apoio.

 

Em relação ao partido, o elemento central consistiu em abrir espaço para um pátio interno/atrium, com cobertura em aço e vidro, que funcionaria como “coração” da loja, ajudando o público a se orientar e apreciar as fachadas georgianas. Foram introduzidas pontes através do pátio nos níveis acima para conexão entre os pavimentos; foi removido o mezanino aumentando os pés-direitos e liberando a fachada. Existia um elemento antigo, uma cabine construída em madeira, a “boathouse” que foi preservada mas relocada para não interferir na nova espacialidade. Foram recuperadas as fachadas, foram introduzidas condições de acessibilidade e definidos novos acessos.

 

Em relação à estrutura os objetivos eram a sua racionalização e fortalecimento. A remoção das paredes existentes ao longo do tempo, havia afetado a estabilidade dos edifícios, que se enfraqueceram e e passaram a se apoiar nos edificios vizinhos – ou seja, qualquer interferência poderia  ser critica. Foram adotados os seguintes princípios onde necessário: novas fundações; inserção de estrutura metálica de apoio e para viabilização dos vãos desejados; e pequenas alterações e reforços sem grandes implicações estruturais. No térreo foi criado um pórtico metálico para garantir abertura estável para o pátio.

 

Foi planejado um café no pavimento superior, com cobertura transparente retrátil e fechamento em vidro com vista para o pátio, mas este não foi executado por questões de aprovação legal pois não era permitido que a cobertura fosse visivel da rua.

 

As fachadas da New Bond Street eram um elemento fundamental no projeto por causa do seu significado histórico. Foram restauradas e receberam reforço estrutural. Foi também eliminado o mezanino fixo a elas para liberar o espaço interno e a fachada. O vidro frágil precisava ser substituído por um temperado, à prova de balas, mas a fachada original devia ser mantida. A solução foi criar uma estrutura de aço por trás da fachada, deslocando a posição do vidro e preservando o exterior.  A entrada tinha que conjugar questões de segurança, climatização, e preservação histórica, portanto desenvolveu-se um projeto novo, em harmonia com a fachada.

 

Outro elemento importante e muito explorado no desenvolvimento do projeto, foi o chamado “veil” (VÉU),  uma espécie de tela como pano de fundo da fachada principal, criando um background para os elementos expositivos de dentro e de fora da loja. Outro motivo para se considerar este elemento era uma questão de segurança visual, criando uma certa opacidade em relação ao interior da loja. Optou-se por um sistema de painéis deslizantes em malha metálica, com acesso à vitrine pelo interior.

 

PROCESSO                         

Faz parte do processo de desenvolvimento de um projeto no escritório do Norman Foster, um trabalho exaustivo com opções e comparação entre elas.  Também  o habito de discuti-las com o cliente e equipe, seja para argumentar porque algo não é possível ou porque algo é melhor, seja para receber input coletivo.